Um café pode mudar vidas...


Era uma manhã qualquer de julho... O tempo estava fechado, com nuvens carregadas por todo o céu, mas eu tinha certeza de que não era apenas uma manhã qualquer de julho... Era a minha manhã de julho.
Saltos altos e casacões por todos os cantos, homens elegantes de terno e gravata no centro da cidade... E eu... Uma pobre garçonete de uma cafeteria... Argh me poupe! Essa não é a história da Cinderela.
Estou brincando... Não sou a garçonete, mas gostaria de ser... Pois ela consegue falar com ele todos os dias, e eu... Trabalho ao seu lado no Jornal. Mas não consigo arrancar um mero “Bom dia”.
Ele é perfeito... Acho que estou apaixonada, mas não posso me apaixonar por alguém que nem ao menos fala comigo, que nem me olha... Como se fosse fácil mandar no coração!
Sentei com meu notebook na mesa e pedi para a moça um cappuccino. Ele chegou na Cafeteria. Terno e gravata com um humor incrível...
Sem querer percebi que colocaram açúcar em seu café e ele é diabético.
Trouxeram meu cappuccino e o café dele. Seria minha chance?
Talvez... Saí com meu notebook nas mãos e sentei-me ao seu lado antes dele tomar o café.
-Desculpe-me, mas eu percebi que colocaram açúcar em seu café, e acho que você tem diabetes não é verdade?
-Nossa... Obrigada!
-De nada... – Peguei meu notebook e levantei.
-Ei, fique! Tome um café comigo. Me explique como você sabe que eu tenho diabetes?
-Claro... É que trabalho no jornal onde você trabalha.
-Sério? Como nunca a vi por lá?
-Eu trabalho a noite.
-Hum... E então, qual seu nome?
-Marina Iohen.
-Ouvi falar dos seus trabalhos como jornalista e você realmente mereceu a vaga no jornal, eu selecionei seu currículo. Pena que você não é muito valorizada.
-Nossa... Obrigada.
Até aí tudo ótimo... Mas eu virei café no terno dele...
-Ai, me desculpe!
-Meu terno... Bem eu posso trocar quando chegarmos no jornal.
-OK. Mas me desculpe... – Peguei um guardanapo e limpei sua gravata, tentei secar o café na verdade, quando ele pegou minhas mãos, foi se aproximando... E...
Bem, meu celular tocou. Atendi e recebi uma proposta de emprego incrível... Pagam super bem, vou entrevistar famosos, terei acesso VIP a festas, salão de cabelos, ganharei suuuper desconto nos shoppings... Então aceitei sem pensar!
-Tudo bem? – Ele me perguntou ao me ver desligar o telefone.
-Sim... Recebi uma proposta de emprego incrível do Jornal do Centro.
-Legal... E você aceitou não é?
-Sim!
-Bem, eu preciso ir... O trabalho me chama.
-Ele pegou sua colher, e passou no creme do cappuccino. Escreveu o número de seu telefone em cima do meu notebook e me beijou.
Eu sabia que aquela manhã de julho não era apenas mais uma manhã... Depois daquele ocorrido, achei que nunca mais veria meu jornalista preferido...
Mas graças ao café, até hoje nunca deixo de ir na cafeteria da esquina... Mas agora, com meu jornalista bonitão ao lado, para deixar qualquer garçonete morrendo de inveja!


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